Exposição "Capeia arraiana" no Consulado de Portugal em Paris

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A Raiar – Associação de Aldeia do Bispo, montou uma exposição de fotografias, consagrada à capeia arraiana, nas instalações do Consulado Geral de Portugal em Paris.
Esta exposição foi inaugurada pelo Consul de Portugal e contou com a presença de alguns membros da direcção da associação e de membros da comunidade portuguesa radicados na região de Paris.
Inaugurada no mesmo fim de semana em que em França se promovia o património nacional, a exposição pretendia dar a conhecer a primeira tradição portuguesa a ser inscrita, pelo Instituto de Conservação dos Museus, no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
Aberta durante as horas de expediente do Consulado, a exposição esteve patente ao público de 14 a 26 de Setembro 2012, tendo recebido diáriamente várias centenas de visitantes, utentes dos serviços consulares.

Organizada de maneira pedagógica e apoiada por um folheto explicativo, realizado com base nos textos da Camara Municipal do Sabugal, os organizadores tiveram por objectivo promover a capeia arraiana junto de um público ainda desconhecedor desta tão peculiar tradição do concelho do Sabugal.
Tendo em conta as condicionantes de um espaço destinado a receber um público numeroso, a exposição foi organizada em dois tempos : uma parte dedicada à arte que a capeia inspira com uma mostra de 9 telas realizadas por Francis Veras da Rosa, pintor natural de Aldeia do Bispo e radicado em França há longos anos; outra parte constituída por um conjunto de fotografias destinadas a ilustrar os momentos fortes do encerro e da capeia própriamente dita.

No acto de inauguração, foi abordado o papel desempenhado pelas capeias da raia na consolidação dos laços existentes entre a terra e as gentes, contrariando assim as consequências sociais dos surtos migratórios que estas regiões têm conhecido.
A realização da capeia continuando a ser um momento alto na vida dos residentes na região, é também um pretexto forte que, ao fazer voltar aqueles que foram para mais longe, permite reatar  laços sociais através da vivência comun de situações em que nos sentimos irmanados num sentimento de solidariedade.
Ficou também bem patente que a realização da capeia continua a processar-se segundo modalidades herdadas dos nossos pais e que depende da vontade e da participação de todos, que é toda uma comunidade local, que anualmente mutualiza esforços materiais e financeiros na realização de um evento no qual todos são bemvindos e que todos vivem de maneira muito forte.

Este caracter “histórico” da capeia estava exemplificado na apresentação de fotogafias mais antigas (algumas já dos anos cinquenta), mas ilustrando situações muito próximas das dos nossos dias. Nota-se, é certo, uma evolução, as cancelas vieram subtituir os muros de pedra, os touros são agora embolados, a praça já não é feita com carros carregados de lenha, os jovens à galha não levam o lenço das namoradas, o meio do forcão está agora cheio de gente… mas trata-se de pormenores, uma vez que a emoção de ver passar os touros no encerro e de os esperar ao forcão continua intacta.